segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Chora não, viu?

Eu vi a mulher tão menina fazendo faxina no coração;
A pintura manchada, chorada;
A certeza forjada, rompida!
Eu vi a menina perdida;
Tirando de dentro na força;
Botando pra fora na marra!
Tudo ao seu redor estremeceu;
Seu chão tremeu, se abriu...
O seu coração, que é o meu, bateu que bateu que doeu, doeu!
Deu vontade de chorar junto, viu?
Deu vontade de chorar!
Deu vontade de velar o seu sono,
adentrar o seu sonho e tentá-la a sorrir.
Eu podia acender uma luz, clarear o seu breu,
espantar seu fantasma e gritar que era eu.
Quem sou eu?
Menininha, minha, tão pequenininha...
Chora não, viu?
Chora não!
Abril 2006

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Quando fica chato

Quero saber quem não briga 
quando fica chato? 
Quero saber quem é chato 
quando a gente briga? 
Você me conta uma história, 
eu dou a minha versão 
e o tom da voz anuncia 
outra discussão. 
Uma palavra não cabe 
e a briga começa. 
Quero saber: 
Quem começa quando a gente briga? 
Você me diz desaforos... 
Tiro trocado não dói.
Entre o certo e o errado o amor se corrói. 
Aí quando briga termina é que fica engraçado; 
Só o silêncio vazio no escuro dos fatos. 
Quem se arrepende primeiro? 
Quem vem o pedir o perdão? 
Quem vai fingir que discórdia alimenta a paixão. 
Quero saber: Quem vai sair vitorioso? 
Quem é melhor? Quem é pior? Quem vai saber? 
Por que será nossa disputa? 
Quem vai ganhar? Quem vai perder? 
Se é feliz, amor, por que amor? Por que?
E se não é, por que amor? 
Pra quê amor? 
1999

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Sem pedidos de perdão..

Estupidamente 
vazio ficou 
o meu coração, 
mas a minha consciência não!
Tomo o passar
do tempo 
como proteção;
Tomo gosto 
por tudo 
que é bom!
Ao deleite 
do teu corpo 
tua juventude 
é o meu prêmio.
Minha insistência me ampara, reflete tua satisfação.
Teu aprendizado é conseqüência 
e a responsabilidade não é só minha não...
Alcunha, compromisso, aliança... 
Nada disso encosta no coração!
Vale o que fica batendo, latejando, repetindo...
Vale o que é verdadeiro, o que é instintivo e é intenção.
Vale a permanência; 
Vale a paciência, a continuação!
Sem assinaturas, sem dinheiro, sem mentiras...
Sem o equívoco acalanto dos pedidos de perdão.
Sem assinaturas, sem pedidos de perdão;
Apenas consentimentos, beijos, suspiros...
...Paixão!
Para Tayana Torezani
Setembro 2007

"Bacutia"

De uma tarde vazia 
o melhor momento:
Praia, sol, 
cerveja, vento. 
Nas águas da “Bacutia”, uma sereia lá dentro. 
Ainda lembro assim 
apesar do rompimento 
nos e-mails que chegaram... 
Que venham outros momentos: 
Outros shows; outras danças; 
Outros papos; outros ventos; 
Outras praias; outros “sóis”; 
“Tudo tão claro entre nós...”. 
“Tudo bem claro entre nós!”. 
Respeito, aceito, não posso dizer que entendo... 
Quero também que traduza e não me tome por sofrimento; 
Apesar do pesar de não ser mais como foi, 
fica um grande entendimento... 
Sintonia, raciocínio, admiração, contentamento! 
Espero que compreenda que essas coisas que invento 
é o que tenho de melhor pra dar, 
com um pouco do meu intento. 
É como posso rever, eternizar bons momentos 
e tentar agradar as pessoas que gosto 
nos meus relacionamentos. 
 Sintonia, raciocínio, admiração, contentamento! 
Outros papos; outros ventos... 
E tudo tão claro entre nós, 
tudo bem claro entre nós.
Março 2007

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

"Bonita"

Sobe no palco 
como quem 
sabe do amor;
Desbrava a platéia, 
vira cantor.
Brilha junto às luzes;
Incrementa a banda;
Domina a canção que for,
Do jeito que for, 
na nota que for.
Parece que tira seu dom da mochila,
põe na garganta e canta, encanta...
Canta bonito “a bonita”;
Deve ser coisa de Deus!
Tira o dom da mochila e põe na garganta
e canta, encanta, encanta e canta.

Para Pedro Jorge
03 dezembro 1997 

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Acustico’s

De todas as belas que iam
àquela viela era ela a mais bela que já apareceu por lá. No pagode do Domingo todo mundo se divertia, ia junto a moçada toda antes, pra esperar ela chegar. 
Quando ela dançava que a blusinha balançava, nossa, todo mundo parava pra olhar e pra babar. 
Quando a gente sentava em roda tomando uma, eu ia pra perto dela... Só pra vigiar, só pra vigiar. 
Quando ela saía por qualquer motivo: Banheiro, bebida, pra falar com alguém, dava sentido pro “roque” aquele rebolado, aquele balançado, aquele vai e vem... (sacou?)
Quando a gente se aproximou eu queria chegar perto, dar só um cheirinho, dar só um beijinho, depois acabou... 
Aí a gente foi se envolvendo, se vendo, gostando, ela me laçou! 
Meu coração veio enchendo, enchendo, eu só percebi quando transbordou. Aí já era tarde e eu sofri pra caramba, perdi pra caramba quando o namoro terminou.
 Das seqüelas daquela menina, das mais belas, das mais lindas que eu já conheci, sobrei eu, o poeta de agora, noutro boteco, noutra mesinha, lembrando sozinho muito tempo depois... 
...Nunca mais a vi; Nunca mais “vigiei” ninguém. Pode ser que ainda a gente se encontre noutro dia, noutro canto, pra ela lembrar também. Nunca mais senti nada igual e ainda estou aqui ficando mais velho, ficando mais, só ficando e só! 

Para Olga Spessimille
25 junho 2003

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A gente acabando com a gente!

 Eu estou com medo do mundo;   
De onde ele veio? 
Pra onde ele vai?
O que é que ainda pode acontecer?
Que mais que a gente vai fazer?
Quanto mais ainda vamos perder?
E por quem? 
E por quê? 
E pra quê?
A gente fazendo a besteira;
A gente morrendo, a gente matando!
Que é isso gente?
A gente se atropelando, passando por cima da gente...
A gente que corre, a gente que bate, a gente que mente;
A gente se escondendo, a gente com medo da gente.
E por quem? 
E por quê? 
E pra quê?
A gente acabando com a gente!
A gente da raça, a gente da pele, a gente da cor,
A gente guerreando, espalhando a doença... 
Aplicando o terror!
E por quem? 
E por quê? 
E pra quê?
A gente acabando com a gente!
A gente secando, 
apagando as estrelas, 
esquentando o planeta!
A gente mutante, 
extinguindo as espécies, 
poluindo a natureza!
E por quem? E por quê? E pra quê?
Cadê essa gente que entende, que pode fazer diferente?
Deixamos o mundo doente com gritos e horrores de gente pra gente...
Por quem? 
Por quê? 
Pra que?
Que é isso minha gente?
Que é isso?
Meados de 2007

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Brasileiro

Eu quebrei meu rei!
Me assustei, mergulhei, afundei!
Me desesperei, me apavorei e, sem brincadeira nenhuma,
ainda não sei como foi que eu voltei!
Mas voltei... Quando me lembrei, quando me emocionei;
Quando me encontrei no meu lugar;
“Nas minhas casas”, com meus irmãos;
Com minha mãe, com meu pai...
Percebi o que perdi, que amadureci, endureci.
Deixei de sentir, de sonhar, de criar;
Deixei de escrever, de compor, de cantar!
Enfim, ainda sou um guerreiro, batuqueiro, brasileiro
E não preciso de muito dinheiro para sempre tentar ser feliz!
Ainda tenho meu eterno companheiro, meu violão, meu parceiro;
Minha praia, meu terreiro, meu País!
Tenho música no meu travesseiro, no meu carro, no meu sangue...
Muitos gigas no HD.
Enfim, ainda sou um guerreiro, batuqueiro, brasileiro
E não preciso de muito dinheiro para sempre tentar ser feliz!


10 setembro 2007

Jet-Set

Jet-Set pode ser um automóvel, Jet-Set pode ser um avião,
Jet-Set pode ser o trem de pouso,
um anuncio na televisão.
Jet-Set pode ser no abstrato,
Pode ser que seja só no coração,
Jet-Set pode dar no corpo todo,
pode ser que pegue só na sua mão.
Jet-Set pode ser que seja alto,
Pode ser que esteja apenas no refrão,
Jet-set pode ser uma estátua,
Um objeto de decoração.
Jet-Set pode ser um arco-íris
E que fique só na imaginação,
Jet-Set pode ser uma verdade,
uma maldade ou uma condição.
Jet-Set pode ser a sua história,
Começo, meio e fim da relação.
Jet-set pode dar em casamento,
Pode ser que fique só na intenção.
Pode ser que seja a banda do momento
E que tire o sono de uma geração,
Jet-set pode estar na sua agenda
E ser alvo da sua programação;
Pode ser que seja a banda do momento
e que faça uma revolução
e que encha sua cabeça de argumentos
pra que tire sua própria conclusão.


1998

Como talvez sempre!

É fim de carnaval, é fim de muitas coisas. 
O que havia de presente ontem, hoje já é passado e o que já era passado tão presente!
Nada de saudade do presente, ninguém quer agouro às cores do carnaval, mas havia muita solidão, como talvez sempre. Presentes os meus amigos, uns mais novos, outros bem antigos, todos nós ficamos mais velhos, mais unidos e mais afastados, mas no carnaval não, quem é que quer os amigos afastados no carnaval? Talvez os casais, mas eu não!Pouco tempo pra descansar, quem é que quer saber de dormir no carnaval? Eu não, outros sim... Ninguém é igual a ninguém; cada um no seu cada um; antes só que mal acompanhado... Meu espírito ficou doente, mas, ainda bem, foi só no final. 
Eu não ia evitar nada, não precisei, meu instinto estava de folga e meu coração não estava vazio, era tudo tão diferente e tão familiar, meu corpo ficou quietinho.
Havia música o tempo todo e eu toquei e cantei tanto que até fiquei rouco; minha cabeça ficou ocupada trabalhando; quem é que quer saber de trabalho no carnaval? Eu queria. 
Que coisa, ninguém me ligou. Aliás ligaram sim, mas eu só vim saber quando voltei pra casa e pela secretária da telefônica porque desliguei o celular quando cheguei lá na praia e não esperei nada, ninguém tinha que me ligar mesmo e isso era bom, afinal quem é que quer notícia dos seus no carnaval? Eu não queria!  
O carnaval acabou e com ele toda esta ansiedade desgovernada de nada por nada nem pra ninguém e também, como talvez sempre, tudo acaba! 

Praia de Putirí, Fevereiro 2004.

Ser, fazer e acontecer...

Mais que um desejo: Desafio!
Aprender sem querer: Me instruir...
Proporcionar, me estender;
Ensinar sem me pronunciar;
Conduzir, melhorar... Admirar!

Mais que proposta: Meta!
Ascender sem prejudicar: crescer!
Ser, fazer e acontecer;
Criar, construir, vender;
Impressionar, trabalhar: Vencer!

Permaneço, não me desfaço!
Evoluo, pretenso, e espero.
Busco pouco, reconheço... Tropeço.
Mas me esforço! E confesso: Amo!


11 Novembro 2005

Oração por Luz e Direção

    Nossa relação já não era mais a mesma. Subiu num patamar, calçou-se de saltos e me tomava por seu eterno aprendiz; sufocava meu direito de opinião, de criação, minhas atitudes, minha música e, senão com palavras diretas, outras indiretas, joguinhos de manipulação e intrigas, nos afastamos gradativa e irremediavelmente até o estopim da coisa, só não viu quem não quis!
    Tive meus motivos que não sei se têm semelhança com os dos outros, mas os tive e mantive, mantenho o voto que massagearia meu ego, ratificaria meus princípios, asseguraria, sob minha ótica, a continuidade e o desenvolvimento do nosso empreendimento que, confesso, tive medo de ver chegar ao fim.
    Ouvi de arrependimentos e súplicas a uma 2º ou 3º ou, sei lá quanta chance já houve, mas que não me comoveram a ponto de me fazerem retroagir, e utilizo dois ditos populares pra simplificar a minha afirmação e elucidar esses motivos bem diretamente:
    1º- Quem bate esquece mesmo (ainda a minha cara é toda marcada de tanto oferecer o outro lado)
    2º- A gente só colhe o que planta (sem comentários)
    Continuo embasado na coerência e nos ensinamentos que recebi ao longo da minha vida e que acredito terem me feito um homem de bem que erra, assume seus erros e faz questão de pagar por eles.
    Por isso, “meu Deus”, peço luz e direção...
                             ...Em nome do pai, do filho...

Setembro de 2006

Coisa de Deus!

Tanto sentimento diferente, bate um anjo na porta da gente e deixa presente que a gente só sente... E sente tudo junto, de uma vez!
Não dá pra dividir, pra desmembrar, pra organizar...
Sentimento é a gente que sente e sinceramente não dá pra explicar!
De repente está dentro da gente, do corpo, da mente e do coração.
Como um filho que a gente já sabe, já sente frente à concepção...
Como um filho que a gente só sente que ganhou um presente... E foi Deus quem mandou!
Já era tanto sentimento diferente, uma alegria insistente, ansiedade, desejo, paixão!
Já era tanta expectativa todo dia, toda hora...
...não entendo até agora o que foi que aconteceu.
Não entende o papai;
Não entende a tua mana (Tayana);
Não entendo eu!
Não me entendi com a ciência;
Não aceito a tua ausência e te entrego de volta pra Deus.
Era presente pra mim, meu Deus?
Enfim! Eu ainda estou aqui, viu? Lembra de mim?
Ainda sinto muito, muita coisa diferente...
Este vazio impertinente no meu corpo, nos meus braços;
Nos meus beijos, na minha alma!
E no meu coração tanto amor...
... Porque nada mudou entre nós, meu amor!
Nada mudou, viu?
Eu estarei sempre aqui: Numa poesia, nesse versinho, num trocadilho...
Porque mãe é pra sempre, meu filho! 
E se a vida é mesmo como uma estação de trem, de gente que vai, de gente que vem, a gente se vê por aí e eu te reconheço no ato, porque mãe é pra sempre, de fato!
Numa hora, no minuto da tua vida, por tua vinda de mim...
Mãe é pra sempre dos filhos: Dos que ficam, dos que choram, dos que foram!
Mãe é uma condição.... É essa estação... É o coração!
Mãe é o caminho pra vida, pra essas idas e vindas da vida, pra ela ser renovação.
Mãe é de Deus, criação...
Os filhos têm mãe de presente; É presente de Deus!
Como pensam as mães diante dos seus...
Coisa de Deus!
Coisas de Deus...
(Para Fátima Torezani)
20 Novembro 2007

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Cada um sabe a dor e a delícia de ser...

Acho válidos quaisquer tipos de expressão de verdade, de vontade, de carinho... Aceito suas preocupações e não recrimino quando as expõe, mas tenho direito de responder, me defender, argumentar, é o que causa polêmica, incomoda, afinal tenho convicções tanto quanto e argumento de sobra; além disso experiência, uma "rotina" diferente do padrão e quando me exponho meu pedaço está do lado oposto, enfim: Debate...
    Assim como você se preocupa eu justifico, encaro, retruco, rebato, discuto... Enfim, opino de acordo com o meu conceito, conto minha história sob minha ótica, gosto disso: Conversar, insistir, o que não significa brigar e, coisa que ninguém vê, nunca viu porque não faço mesmo, é interferir na conduta das pessoas, já que gosto e caroço é cada um no seu pescoço: “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é!”. (Caetano Veloso)
    De tudo mais, se alguma coisa pareceu fora de lugar, acredite, era eu e meu desgaste fisco de algumas noites de trabalho, a exaustão de um corpo franzino de quem pelo menos tenta.
    “Dormi logo que cheguei em casa pensando em descer pra tomar um banho, mas não consegui, tinha tomado umas e outras, estava muito cansado então dormi logo porque o sono do fogo é devastador, mas muito curto, o suficiente pra me acordar duas horas depois ainda exausto e impossibilitado de voltar à ele... Levantei com fome, comi; tomei um dos calmantes da minha mãe; voltei logo à minha cama, li um livro do “Paulo Coelho” quase até o fim, o remédio fez efeito, fechei o livro e apaguei até o meio dia de hoje”.
    Meu desacordo com as coisas da minha mãe é coisa que não passa mais de uma tentativa de três ou quatro palavras, já perdi muito tempo discutindo com ela, hoje em dia pondero com a maturidade que me comporta e, infelizmente, "acumulo no saco" até que ele estoure e espalhe no vento, nos outros, o que no contexto geral só fere a mim mesmo.
    Costumo inventar coisas pra me distrair, sair, brincar, encontrar gente, cantar e tocar meu violão... Ultimamente não tem sido assim, ando meio indisposto; minha cabeça não está descansada e existem outros fatores que não me convém citar. Essa relação é de outra dimensão, o que de repente pode estar exigindo uma atenção que eu ainda não dimensionei e não acompanhei até porque não me preocupei com mais isso, mas posso dizer que de todos os meus conflitos esse não me incomoda, meus sentidos não rejeitam, ao contrário, aceitam, me pedem que você apareça; de todas as minhas confusões, porque eu sou mesmo extremamente confuso, ainda nos entendemos muito bem, nosso encontro me acalma, me renova e me estimula a pensar que posso dizer o que penso, porque penso que vai realmente entender ou então não vai me dizer nada e já me conforta pensar que apenas ouviu.
    Não vou me repetir, falar novamente dos meus medos e receios de me estender porque vai ser enjoativo, justificativo, sei lá, talvez eu esteja mesmo querendo justificar ou discutir ou conversar, quem sabe? Vai encarar?
    Também dentre discussões, explicações, justificativas e outras conversas aleatórias, não tenho intenção de diminuir, ser pejorativo, causar intrigas e brigar, é debate, exposição de idéias e opiniões. O mundo tende a fazer de uma conversa de botequim uma guerra, mas eu quero, tento, gostaria de pensar que sou ou que posso ser sempre um apaziguador do nosso mundo!
Março 2006

Eu também sou aluno da vida!

Tenho poucos amigos e não faço questão de quantidade, tento ser agradável com quem participa do meu convívio e não peço que concordem com os meus pontos de vista, incomodem-se e retirem-se, já disse isso antes...
Sou polêmico, tenho consciência e faço questão de deixar claro pra quem decide conviver comigo, entendi que os padrões do tempo dos nossos avós estão obsoletos, mas nossos pais ainda nos ensinam essa matéria como eles aprenderam, como uma regra, não tenho como mudar, nem quero, mas tenho um mundo diferente que me dá o direito de escolher o que é melhor pra mim, afinal a gente vive num planeta que gira e muda muito em cada volta que dá, eu mudo junto, vou seguindo meus instintos e o meu coração com o que me faça cada vez melhor, prefiro pensar que ainda posso brincar um pouco enquanto meu corpo ainda consegue, depois ele vai ter que descansar (essa sim é uma regra) e eu vou falar bastante sério nesta hora se bem me conheço, mas tive um milhão de exemplos de gente que começou muito cedo e parou muito cedo por causa dessas mudanças que vieram junto com a dança do planeta, gente que deixou as seqüelas de um sonho individual num monte de gente que não compartilhava do mesmo ideal, são filhos de um desastre que possivelmente se comportariam como tal...
Não passo por cima de ninguém, ao contrário, sou bacana, solidário na medida do possível, mas entendi que tenho que gostar muito de mim antes de conseguir doar o meu quinhão; entendi que individualismo não é uma palavra feia e que preocupação faz o cabelo ficar branco; entendi que persuasão é um misto de inteligência e esperteza que constrói bons momentos e instrui a quem se permite; entendi que ninguém é igual a ninguém, que uma hora a gente encontra uma pessoa com um milhão de afinidades, mas sempre aparece uma pedrinha ou outra e essa coisa é recíproca, entendi que pra ser respeitado tem que respeitar, é uma troca, sempre tudo assim...
Enfim, aprendi muita coisa na escola, mas também sou aluno da vida, minha melhor professora, e quero continuar aprendendo com ela, ou seja, vivendo.
Meados de 2009

O Mundo Todo... (Para todo mundo!)

Bandeira Branca! Vamos desfazer o ranço, da minha parte a decisão está tomada, sem drama nem remorso, apenas porque não faz mais sentido, porque ninguém tem razão, ninguém venceu, a gente só perdeu!

Perdemos a “Mãe Velha” que, à sua maneira, pregava solidariedade, paz, amor e união dentre outros tantos valores. Assim como ela não podemos fazer muito pelo “mundo todo”, mas por uma parte dele, por quem esta perto de nós. Esta deve ser a razão, o sentido de existir as famílias, e esta é a minha maneira de fazer alguma coisa: Um grande pedido de perdão!

“Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é” (Caetano Veloso)... Ponto! Incomode-se e retire-se, não tente obrigar ninguém a seguir sua cartilha, convença se for capaz, é um direito que lhe assiste. “O mundo todo” deveria fazer assim, simples assim, muita porcaria já teria se evitado, mas “o mundo todo” tenta impor regras, leis, religiões e cartilhas tão diferentes que se o certo e o errado fossem humanos viveriam fazendo análise. Exemplos de contradições ao redor “do mundo todo”: O Socialismo e o Capitalismo; A Monarquia e a Democracia; “As Igrejas” e a Ciência; Os Estados Unidos e o Iraque; Beethoven e Amado Batista; Eu e Você... Cada um convenceu o seu bocado e cada bocado seguiu seu caminho pensando que estava muito bem assim, como faz o rio; como fazemos nós e é cada um no seu quadrado colhendo seus frutos e espantando seus fantasmas; sorrindo as alegrias e chorando as mágoas; no fundo apenas sobrevivendo, ficando mais um pouco pra assistir às chegadas e partidas das outras pessoas até que chegue a nossa vez; e vai chegar, acredite! Brigamos e nos agredimos e nos afastamos como “o mundo todo” faz e não se percebeu ainda que ninguém venceu, só perdeu; que por mais que a gente elabore teorias e equações pra justificar nossas atitudes, a gente briga só pra mostrar quem é mais forte, senão qual seria o sentido correto a ser seguido se em cada canto a razão é uma? Defendem-se bandeiras opostas em nome de qual cartilha correta? Qual é a correta? Se as nossas convicções e opiniões mudam assim que alguém nos convença, o sentido muda, perceba o exemplo do vento que não tem sentido; o motivo muda, desaparece com o tempo, e a gente vai junto, difícil é perceber.

Aqui e agora, mais próximos, ainda que distantes, vamos juntos, de mãos dadas. Quem sabe com o exemplo de uma pequena parcela “o mundo todo” se interesse em fazer igual?




Dezembro 2008

Outras Realizações...

Meus amigos de infância todos têm escrito suas histórias, alguns caindo e levantando como tem que ser; uns com muita sorte, do alto de suas montanhas; outros que já nem estão pra me contar das suas...
A vida é uma caixinha cheia de surpresas e o que posso dizer de mim é que estou constantemente cicatrizando feridas e endurecendo meu couro como conseqüência, mas sempre disposto a tentar outra vez.
Minha música é minha companheira mais solidária, meu acalanto, meu consolo quando estou triste e a explosão de quando estou feliz... O meu talento é tímido, do meu tamanho, o suficiente pra me levar onde eu quero ir.
O que encontro quando me procuro é ainda muita ansiedade de vida e um longo caminho pela frente; quero realizar ainda muitos dos sonhos que já tive; ainda sonho como um menino, mas tenho orgulho disso.
Penso que o grande barato de todo esse processo na estação da vida é poder vivenciar momentos marcantes como aquela festa que a gente nunca vai esquecer ou aquele beijo ou aquela pessoa tão especial... É poder compartilhar depois de tanto tempo e de tempos em tempos, as minhas teorias malucas...
Ler na internet essas realizações acontecendo e me sentir realizado com elas... Sentir que o tempo está passando mesmo e me sentir bem com isso.
Conheci muita gente diferente e tive várias relações diferentes: algumas de amor, outras de amizade, outras de incompatibilidade, outras de afinidade... Falamos a mesma língua, você daí eu de cá... Seja feliz e eu ficarei feliz... Não deixe de me contar, estarei sempre aqui. 

Meados de 2008