quinta-feira, 12 de julho de 2012

Sensibilidade


Minha sapiência anda retardada;
minha fluência refreada;
minhas palavras estão tão caladas, 
coitadas, são tão pequenas, inexatas.
Eu impotente, consciente e parado; 
meus poderes foram bloqueados; 
meus super-heróis todos 
envelheceram na televisão
e eu ainda fazendo questão 
de ficar encantado.
Ainda assim aqui vou eu
mundo afora, corpo adentro.
Apanho e quase não bato;
acordo e quase não durmo;
faço amor e quase não amo...
Serei eu o meu algoz, o meu carrasco? 
O meu fiasco? O meu Demônio? 
Serei eu, meu Deus, 
a luz? O som? A cor? 
O meu amigo? O meu amor? 
Minha coerência é incógnita; 
meu coração valente, batente...
Meu homem fazendo, ganhando, perdendo, pedindo, gritando... Gerúndio.
Acordar, sentar, esperar, consertar, assistir, deitar, dormir, repetir, continuar... 
Ainda assim aqui vou eu mundo afora, corpo adentro,
apanho e quase não bato, acordo e quase não durmo,
faço amor e quase não amo...
Inocente, impotente, incoerente, mas consciente e aprendendo com esses poetas, com esses malucos. Tentando encontrar meu lugar.

Letra e Música: Kako Tovar - 18 Abril 2003
Gravação: 2004
Arranjos e Produção: Kako Tovar 
Programação de Bateria: Chris Munhão
Voz: Kako Tovar
Backing: Gabriel Tovar
Violão e Baixo:  Kako Tovar
Guitarra: Giorgio Marçal

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2 comentários:

  1. O amor? Eu o faço muitas vezes.. mas nunca falo dele."
    Proust

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  2. "Inocente, impotente, incoerente, mas consciente e aprendendo com esses poetas, com esses malucos. Tentando encontrar meu lugar..."
    Leio a letra cantando...

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